“Sem paz não há desenvolvimento”, diz Celso Amorim em última reunião do BRICS sob presidência brasileira
Os países do Sul Global estão trocando experiências para aprimorar técnicas de promoção da paz. O workshop sobre mediação de conflitos ocorre nesta terça e quarta-feira, 16/12, em Brasília

Por Mayara Souto/BRICS Brasil
Um dos principais articuladores da criação do BRICS e ex-ministro de Relações Exteriores do Brasil, o embaixador Celso Amorim, participou do workshop de mediação, promovido pela presidência brasileira do agrupamento. O evento ocorreu nesta terça e quarta-feira, 16 e 17/12, no Palácio do Itamaraty, em Brasília.
De acordo com Amorim, a iniciativa foi pensada para valorizar os conhecimentos dos países do Sul Global a respeito do tema. “Acreditamos que lições valiosas de mediação não são encontradas apenas nas capitais ocidentais. Os países aqui representados e outras nações do Sul Global têm muito conhecimento e uma ampla gama de experiências”, disse.
“Promover a paz é o objetivo mais nobre da diplomacia. Em 1967, o Papa Paulo VI disse famosamente que o desenvolvimento é o novo nome da paz. O inverso também é verdadeiro. A paz é indispensável ao desenvolvimento”, destacou ainda o embaixador brasileiro.
Experiência
Por isso, Amorim acredita ser essencial que os países do Sul Global desenvolvam técnicas de mediação de conflitos. “Essa troca de experiências é absolutamente fundamental para que a gente não dependa só de outros”, comentou.
Durante o discurso, o embaixador relembrou episódios de sua carreira em que atuou, representando o governo brasileiro, na mediação de conflitos diplomáticos. Entre eles, destacou as negociações em torno do programa nuclear do Irã, que provocaram tensões internacionais em 2010. À época, a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi decisiva para avanços diplomáticos, resultando na Declaração de Teerã sobre o uso da energia nuclear, assinada por Irã, Brasil e Turquia.
Também dentro dos países do BRICS, há o exemplo da África do Sul. Segundo a professora Môniza Herz, do BRICS Policy Center, que realizou a abertura do workshop, o país é um exemplo “por causa da própria transição para a democracia, em 1994”, que deu fim ao Apartheid. E, também, pela trajetória do então presidente Nelson Mandela, “que é uma referência no mundo da mediação de forma ampla”.
Além dos onze países-membros do agrupamento presentes, Turquia e Catar foram convidados a participar da troca de experiências, em razão de sua atuação na mediação de conflitos.
O governo do Catar, por exemplo, criou o Instituto Doha para Estudos de Pós-Graduação e a Academia Internacional do Catar para Estudos de Segurança, em que a mediação é um tema central. A Turquia, ademais do exemplo citado pelo embaixador, também criou, em 2018, um Programa de Certificação em Mediação para a Paz, destinado a jovens diplomatas da Organização da Cooperação Islâmica.
Fim da presidência brasileira
Para Amorim, o último ato da presidência brasileira do BRICS ser um workshop sobre mediação, que promove a paz, é muito simbólico.
“Nós ficamos muito empenhados em várias assuntos importantes como energia renovável, inteligência artificial, mas eu acho que falar de paz é absolutamente fundamental. E terminar a nossa presidência do BRICS com uma discussão sobre mediação é fundamental”, finalizou.