Reunião de chanceleres do BRICS será no Rio de Janeiro, confirma sherpa brasileiro
A capital fluminense receberá os ministros de Relações Exteriores dos países-membros do BRICS nos dias 28 e 29 de abril, após a segunda Reunião de Sherpas do grupo. Além do anúncio, o embaixador Mauricio Lyrio também reforçou as prioridades brasileiras na coordenação do BRICS

Por Franciéli Barcellos de Moraes | francieli.moraes@presidencia.gov.br
A primeira reunião de Chanceleres do BRICS sob a coordenação brasileira neste ano já tem data e local marcados, será no Rio de Janeiro (RJ), nos dias 28 e 29 de abril (segunda e terça-feira). O encontro congrega os ministros das Relações Exteriores dos países-membros do grupo, e sucede a segunda Reunião de Sherpas do BRICS, que está marcada para os dias 23 a 26 do mesmo mês. A primeira Reunião de Sherpas aconteceu ao fim de fevereiro, em Brasília (DF), no Palácio Itamaraty, e consolidou o apoio unânime dos países às prioridades brasileiras. O presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participou da agenda.
Diferentemente da dinâmica adotada pelo G20 no último ano, de reuniões espaçadas pelo mapa tupiniquim, e com o Rio de Janeiro como cidade medular, o BRICS Brasil centraliza suas reuniões na capital federal do país, o que dá contornos de novidade à divulgação da capital fluminense como palco da Reunião de Chanceleres. A informação foi confirmada em coletiva pelo sherpa do agrupamento, o embaixador Mauricio Lyrio.
Saúde no centro dos debates

Além do informe sobre a reunião, o embaixador retomou as prioridades da presidência brasileira para a agenda de cooperação do Sul Global, com destaque ao tema de equidade em saúde. “Nós elegemos a área de saúde porque há uma particularidade muito importante para nós, que é o fato de que algumas doenças incidem mais em países em desenvolvimento do que em países ricos, e que não necessariamente são as doenças privilegiadas em termos de pesquisa, inovação e investimentos pelos grandes laboratórios mundiais. Então, há uma necessidade de esforço específico do BRICS para isto”, disse Lyrio.
No BRICS, o Brasil tem por objetivo o lançamento de uma Parceria para a Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas e Doenças Tropicais Negligenciadas, tema em discussão nesta sexta-feira (14) em videoconferência coordenada pelo Ministério da Saúde.
Na oportunidade, o Lyrio também reforçou uma defesa consistente do multilateralismo e a inveracidade de quaisquer informações sobre a criação de uma moeda comum do BRICS. “O que nós temos discutido é o desenvolvimento de plataformas diversas para a redução de custos de pagamento, mas não uma moeda BRICS. Isso não está sendo discutido. Falamos de plataformas de uso de moedas locais como a sistema de pagamento, também a questão, que o Banco Central começa a analisar, sobre usar moedas digitais para reduzir custos entre os países. São novas tecnologias e novas vertentes, mas não a ideia de uma moeda base”, frisou ele.
Na próxima semana, o Banco Central do Brasil (BCB) realiza duas agendas por videoconferência, com foco em compartilhamento de boas práticas no campo financeiro pelos países, bem como em prol de uma maior integração econômica entre eles. São 11 os países-membros do BRICS, além dos países parceiros.